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#3 Nego Besta  
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C#7#9
        F#m
E lá chegou...
Camisa de croché
                    E
Branca, lavada
                    D
No peito corrente prateada
Calça engomada
              C#7#9
Sexta-feira de manhã

Foi como entrou
Num bar de esquina em Santo Cristo
E dizem na rua que foi visto
Numa cervejada
Às seis horas da manhã

Onde contou
Que nunca na vida não quis nada
Trabalhou que nem burro de carga
Mas hoje gozava
O que lhe dera Iansã

E se apresentou
Nasceu e cresceu no Encantado
Morava com a mãe em um sobrado
Na rua criado,
Sem pensar no amanhã

Mas o tempo passou
E quando era moço foi soldado
Saiu do quartel revoltado
Trocou o penteado
Por trancinhas Djavan

A                                  C#7#9
      E assim se deixou levar pelo vício
                       Bm7
Na zona de baixo meretrício
                        E7
Toda noite passou a beber
   A
Até que os amigos do peito
           C#7#9
Da sua área
                     Bm7
Mostraram pra ele sua falha:
                        E7
'Ô nego, tu precisa vencer'
            D                  A                     Bm7            F#m7                  
      Tua mãe fica te sustentando e não é madame grã-fina
             D                  A                           Bm7            C#7#9
      Vê se tu abre teu olho, malandro, acende a tua lamparina'

Assim se empregou
Como estivador no Cais do Porto
No final do dia sempre morto
Mas grana no bolso
Que passou a dar valor
                              E logo descolou
                              Um trampo pra tirar um por fora
                              Comprou um negócio lá na Glória
                              Com dinheiro agora
                              Arranjou até um amor
Então se juntou
Teve uma menina e um moleque
No bolso cartão, talão de cheque
E emprego no MEC
Que um compadre lhe arrumou
                              E a vida mudou
                              Casa com garagem em Madureira
                              No pulso, de ouro, uma pulseira
                              A vida inteira
                              Com ela ele sonhou

E também comprou
Mais de 20 calças de cor branca
Dez de tergal, dez de elanca
E ninguém lhe arranca
Este ar de vencedor!

E assim se deixou levar pelo vício
Lá no Encantado tornou-se difícil
Ver ele bebendo nas tardes de sexta
Até que os amigos do peito da sua área
Mostraram pra ele sua falha:
'Ô nego, tu deixa de ser besta!'

'Com essa onda que tu tá tirando a nossa amizade termina
Antes tu era bacana com a gente, hoje olha a gente por cima'

Mas não escutou
Achava que tudo era intriga
De gente que não venceu na vida
Com o rei na barriga
Os amigos desprezou
            Mas o tempo mostrou
            Que sua política era errada
            Sentiu falta dos camaradas
            E das bacalhoadas
            Que ele sempre organizou
E no final do porre
Quando terminou de contar isso
Tombou no boteco em Santo Cristo
E não teve registro
O vexame que passou
            Pois o dono do bar
            Jogou ele na rua e disse irado
            Só quem faz isso é negro safado
            Entra, bebe, desmonta
            E não paga a sua conta

E assim se deixou levar pelo vício
De freqüentar o bar em Santo Cristo
Onde toda noite voltou a beber
Aos novos amigos do peito desta área
Diz ser homem que trabalha
Um negro simples, sem muito poder
E até o pessoal do Encantado voltou a ser gente amiga
E se hoje é feliz é porque ele sempre sonhou em ficar bem na vida...

E lá chegou... (volta início)


 
   
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